Máquina de Morar

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Pandora parou, ao final de uma rua, diante da sua.

A caixa era um módulo regular de habitação, uma moderna máquina de morar. Conforme, tinha um tamanho padrão e funcionalidades também padronizadas. A sua era uma Modelo B(12-12)CX-2, com uma aresta de doze metros e ladeada de uma moldura que servia como uma espécie de jardim sintético a la gramado, que contrastava folhas artificiais fotocaptadoras com o cromo reflexivo da moradia hitec. Como sua caixa, outras estavam dispostas ao redor, delimitando uma espécie de condomínio. A distribuição do espaço seguia além, como um tapete de Sierpinski, tendo ao centro uma grande estrutura hermética na qual o interior, embora não fosse mistério, era para Pandora e seus ignorados vizinhos inacessível sem as devidas credenciais. No grande cubo central, as redes de abastecimento de informação, energia elétrica e água, bem como os sistemas de tratamento de esgoto e dejetos sólidos, entrelaçavam-se em circuitos inteligentes de interdependência e mutualismo, capazes de garantir a autonomia da matriz ao redor. E já era assim também em muitos outros pontos da cidade, os mais bem equipados economicamente, deitados sobre os escombros de prédios centenários, os quais poderiam ser recuperados posteriormente, em detalhes, nas mentes dos que achavam neles certa beleza e certa promessa ancestral.

A cidade se transformava em um tapete de blocos e tubos.

(Trecho de Modelo B(12/12)CX-2 ou na Caixa de Pandora, Duodecimado, 2016)