Discos por toda parte…

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Nas ruas, o caos imperou tão logo as sombras circulares cobriram o sol da primavera. Acidentes de automóveis nas rodovias e atropelamentos nas ruas apinhadas. Saques: polícias desmoralizadas tentando vencer com porretes a fúria dos manifestantes diante dos edifícios do poder. Ansiavam por uma explicação que tardava, como a certeza de quem quer que fossem os visitantes. Os discos permaneciam, flutuando sobre as cidades, sobre as multidões, cobrindo campos de chá e plantações de café. A interferência eletromagnética nos telégrafos servia como alerta para o pior, um pior que também não acontecia. O que políticos, militares, eclesiásticos e sábios não especulavam foi o que se configurou realmente, após o primeiro mensageiro tocar o solo da Terra Santa, onde o maior dos discos havia estabelecido estacionamento:

– Viemos em paz.

(Trecho de Um Mundo Partido. Duodecimado, 2016)