Gaiares

trezena_cover

Ouro respirou fundo novamente e relatou cansado:

– Recebemos o chamado há pouco mais de meia hora… Alguém ligou relatando um maluco fantasiado destruindo um carro com golpes de espada. Encontrei-o escondido atrás daquele barraco, em prantos… Os corpos são de dois jovens. Namoravam dentro do carro. Sabe-se se lá o que o puto pensou… – o celular tocou mas ele não atendeu – Quando me viu, tentou se defender. Gritava uma coisa repetidamente…

Gaiares seguiu até os corpos nos quais a perícia já começava seu ofício. Estampidos de flash contra a névoa:

– O quê ele gritava?

– Como vou saber? Tenho cara de chinês por acaso?

– Precisamos interrogá-lo…

Ouro deu um sorriso pouco simpático.

– Desculpe-me, detetive, mas o amarelo dorminhoco que está saindo naquela viatura é propriedade do governo agora… A EPC…

– Foda-se a EPC. Ele assassinou um casal com golpes de espada!

Oij interveio entre Gaiares e Ouro antes que um incidente acontecesse.

– Devo lembrá-los de nossa autonomia, Detetive Gaiares? A Entidade de Proteção a Cronovariáveis foi criada justamente para dirimir estas questões. O destino de nosso amigo da dinastia Ming está com o Quadro de Diretores. Se tiver alguma reclamação, faça diretamente pelos canais competentes. Ademais, não encha o meu saco!

E saiu em direção à segunda viatura, em cuja capota resplandecia a ampulheta partida, marca da EPC. O carro acelerou, deixando o detetive e o professor com o enigma que justificaria suas presenças no local.

– Escrotos… Vamos embora, Oij. Não temos mais nada para fazer aqui. Procuraremos por ele mais tarde.

(Trecho de Eles estão compilando, Trezena, 2015)